Ninguém deseja mais o troféu do Paraibano 2026 do que o torcedor do Campinense

O Campeonato Paraibano de 2026 vai se afunilando e restaram apenas quatro clubes na briga pelo título estadual: Botafogo-PB, Campinense, Sousa e Serra Branca. É claro que todos querem vencer — ninguém entra em campo apenas para competir. O foco é o objetivo, é a taça.

Apesar disso, é notório que, entre eles, um se destaca quando o assunto é necessidade de voltar ao protagonismo estadual: o Campinense.

Desde 2023 sem calendário nacional, a Raposa da Borborema vive um momento de reconstrução dentro das quatro linhas, agora sob o comando de Evaristo Piza, um dos técnicos mais vitoriosos da história recente do rival Botafogo-PB. Após um início irregular, o time começou a dar sinais de que poderia brigar pelas rédeas do campeonato justamente após uma sequência de vitórias contra os rivais Treze e Belo. Contra o alvinegro da estrela vermelha, veio o maior demonstrativo de força: goleada por 4×1 dentro do Amigão.

Falando dos demais postulantes, começo pelo adversário do rubro-negro na semifinal: o Sousa. O Dinossauro do Sertão vem de um bicampeonato paraibano e ganhou destaque nacional ao vencer o Cruzeiro por 2×0 na primeira fase da Copa do Brasil. Sob a gestão de Aldeone Abrantes, o Dino se consolidou como força estadual, inserindo-se no tradicional trio de ferro. Apesar disso, fez uma primeira fase turbulenta e só garantiu classificação na última rodada, ao vencer o Pombal no Marizão. Ainda assim, o Sousa já demonstrou que sua força não é passageira.

Serra Branca, por sua vez, vem de um vexame recente na Copa do Brasil. Vencia sua partida, tinha dois jogadores a mais em campo, mas acabou eliminado pelo Porto-BA. É um clube jovem, ousado, com alto investimento e estrutura invejável. O projeto parece mirar o longo prazo, sem desespero imediato por um título estadual. Pode conquistar, claro, mas não aparenta ser uma obsessão no Cariri neste momento.

Agora, o favorito ao título: o Botafogo-PB. O investimento da SAF comandada por Fillipe Félix é massivo. Vieram nomes de peso como o meia Nenê e o técnico Lisca, além da manutenção de peças importantes como Henrique Dourado e Michael Fracaro. É simplesmente o dobro da folha salarial do segundo clube com maior investimento. Há aportes significativos em estrutura, marketing e comunicação. Futebol é imprevisível, mas seria utopia não colocar o Belo como principal candidato. Desde 2019 sem título estadual, o clube vive também a busca incessante pelo acesso à Série B, algo que não acontece desde 2014.

E então surge a pergunta: por que ninguém precisa mais dessa taça do que o Campinense?

Porque o Campinense vive um limbo dentro do próprio estado. Campanhas vexatórias, risco de rebaixamento, problemas financeiros e instabilidade política marcaram os últimos anos. Mesmo assim, a apaixonada torcida rubro-negra jamais abandonou o clube.

Em 2026, o Campinense disputará apenas o estadual. Depois disso, o time profissional só voltará a campo em janeiro de 2027. Não há calendário. Não há outra competição. Há apenas o Paraibano — e ele virou obsessão.

O torcedor raposeiro quer voltar a vestir a camisa com orgulho, sem receio de provocações. Quer apenas um motivo para sorrir novamente ao ver o Campinense em campo.

O Botafogo-PB pode ser favorito. Pode estar há sete anos sem estadual. Pode carregar frustrações recentes na Série C. Mas talvez o campeonato estadual já não tenha o mesmo peso para o botafoguense, que hoje enxerga horizontes mais amplos com o investimento milionário e a promessa de voos maiores.

Para o Campinense, não.

O Campinense precisa desse título.

O clube precisa.
Os jogadores precisam.
E, principalmente, a torcida precisa.

Machucada, mas ainda feroz, a Raposa segue lutando para reencontrar a luz no fim do túnel de um clube que um dia já esteve no topo do Nordeste.

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