Foi aqui em Prata, então povoado do município de Alagoa do Monteiro, localizado no Cariri paraibano, que Clementino Quelé, o tenaz perseguidor de Lampião, buscou o tão almejado sossego depois de uma vida inteira atravessando o sertão em conflito.
Aqui Quelé encerrou seus dias, distante das volantes e das perseguições que marcaram sua trajetória, sem jamais perder a marca de homem valente.

Em Prata, Quelé não foi visto como homem comum. Era conhecido como valente que brigou com Lampião, homem de fama, de respeito e de temeridade. Seu nome corria de boca em boca. Era chamado para apartar brigas, resolver confusões e impor ordem quando a situação apertava.
Ainda assim, foi aqui que ele viveu uma das maiores, se não a maior, desmoralizações de sua vida, numa afronta que contrastou de forma brutal com a reputação que o acompanhava.
Em um certo dia, Quelé foi afrontado por um estranho que não fazia ideia de quem ele era, um homem comum enfrentando, sem saber, um dos nomes mais temidos do sertão nordestino.
Ao tomar conhecimento de quem se tratava, o agressor caiu no oco do mundo. Sumiu. Desapareceu. Nunca mais ninguém teve notícia dele.
Ninguém sabe o seu nome, nem que fim tomou.
